Uso do Treinamento Funcional nos Esportes







A capacidade funcional é a habilidade utilizada por não-atletas para realizar as atividades normais do dia-a-dia com eficiência, autonomia e independência. Para os atletas, o destaque fica para as técnicas de priocepção, domínio motor e alta especificidade.

Os atletas que praticam o treinamento funcional atingem rapidamente um nível superior. A ótima utilização da cadeia cinética motora é importantíssima para atingir a potência necessária para o profissionalismo.

Com o treinamento funcional é possível criar o exercício específico com os equipamentos (elásticos, bolas, med ball, suíça, reaction ball, zigg ball, balance disc, builder swing, plataformas, cintos, radar). Conseguimos simular o ângulo que está faltando para o golpe sair com velocidade, joelhos e ombros sincronizados para biomecânica ideal, tendinites reduzidas e ainda medir a evolução do tenista (notas de desempenho).

  TF como o próprio nome aponta está relacionado a ações funcionais presentes nas tarefas motoras do cotidiano, tais como: andar, saltar, levantar, etc.

    Zanella & Aguiar (2015) apresentam uma classificação analítica dessas ações funcionais:

1.     Padrões de movimentos primários: agachar, avançar, abaixar, pular, empurrar, girar e levantar.

2.     Habilidades locomotoras: andar, correr, pular.

3.     Habilidades não-locomotoras ou de estabilização: virar-se, torcer, balançar, equilibrar-se.

4.     Habilidades de manipulação: propulsoras: arremessar e chutar ou receptivas: agarrar.

5.     Consciência do movimento: perceber e responder as informações sensoriais necessárias para executar uma tarefa.

6.     Habilidades biomotoras fundamentais: desenvolvimento de força, equilíbrio, resistência, coordenação, flexibilidade e velocidade. Uma habilidade raramente domina um exercício; o movimento deve ser considerado como produto da combinação de duas ou mais habilidades.

7.     Postura: estática (posição em que o corpo começa e termina o movimento) e dinâmica (capacidade do corpo de manter o eixo de rotação durante o movimento).

    No TF os exercícios devem ser realizados em cadeia cinética fechada, exercícios multi-articulares e exercícios multi-planares (planos sagital, coronal, frontal e transversal)

Nos esportes, o TF é um recurso adicional ao treinamento de força convencional. Serve como estímulo adaptativo para o desenvolvimento dos movimentos que envolvem a força, velocidade, potência, resistência e coordenação intra e intermuscular.

    No tae kwon do, Yoon et al (2015) verificaram o efeitos de oito semanas de treinamento do core, sugerindo que o mesmo improvisa melhorias no controle postural e na habilidade de equilíbrio, fundamentais para o desempenho na modalidade.

    Em jogadores de beisebol da 1ª divisão, Song et al (2014) demonstraram que um programa de TF de 16 semanas realizado três vezes semanalmente, mostrou alterações significativas na força de preensão manual (p=0,011), 1RM no supino (p=0,001), 1RM no agachamento (p=0,008) e extensão do tronco (p=0,004).

    Thompson et al (2007) analisaram golfistas categoria sênior, em um TF de oito semanas envolvendo exercícios de flexibilidade, core, equilíbrio e força. Utilizando radar para mensurar a velocidade dos golpes, o grupo exercício sofreu melhorias (127,3 ± 13,4Km\h – 133,6 ± 14,2Km/h) em comparação com o grupo controle (134,5 ± 14,6Km\h – 133,3 ± 11,2Km/h, p<0,05).

    Investigando futebolistas, Prieske et al (2015) estudaram o efeito do treinamento do core por nove semanas (realizado 2-3x semana) em adição ao treino regular da temporada. Avaliaram a força de ativação da musculatura do tronco, salto contramovimento, tempo no sprint, tempo na agilidade e performance na rapidez. Constataram efeitos significativos (pré-pós treino) na força extensora do tronco (5%, p<0,05, d=0,86), 10-20m tempo no sprint (3%, p<0,05, d=2,56) e rapidez (1%, p<0,01, d=1,28).

    Leetun et al (2004) sugerem que decréscimos na estabilidade do core poderiam contribuir para o surgimento de lesões nos membros inferiores em atletas, principalmente do sexo feminino. Com base nesta premissa, compararam a estabilidade do core em jogadores de basquete e atletismo de diferentes gêneros. Foram encontradas evidências que apontam a estabilidade do core como fator relevante para prevenção de lesões na extremidade inferior do corpo.

    Shinkle et al (2012) pesquisaram a capacidade do core de transferir forças do centro para as extremidades superiores. Jogadores de futebol realizaram um programa de lançamento de medicine ball em posições estáticas e dinâmicas (para frente, para trás, direita e esquerda). Os resultados dos lançamentos de medicine ball foram comparados com medidas de desempenho. Após várias correlações estatísticas, concluíram que a força do core tem um efeito significativo sobre a capacidade de um jogador para criar forças e transferí-las para as extremidades.

    Em contraste com o estudo supra citado, Nesser et al (2008) alegam que a estabilidade do core é moderadamente relacionada com a força e níveis de desempenho nos jogadores de futebol.

    No basquetebol, Cumps et al (2007) comprovaram que um programa de TF com duração vinte e duas semanas (3 x semana), utilizando semi-globos de equilíbrio e habilidades específicas do basquete, reduziram o risco do surgimento de novas ou recorrentes entorses de tornozelo.

    Aparentemente, o TF direcionado à atividade esportiva de desempenho deve ser considerado como estratégia metodológica eficiente.



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    Um comentário:

    1. será que pode ser considerado positivo, considerando desempenho, a utilização da calistenia associada ao TF para lutadores de Boxe?

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